Brasil
Previsão solar
O Brasil ultrapassou 68,7 GW de capacidade instalada em energia solar em 2026, o que representa um quarto da capacidade nacional, e cerca de 22 GW desse total alimentam a rede de transmissão. Entre 2022 e 2024, a parcela de energia renovável produzível que nunca chegou à rede aumentou de 0,5% para 9,3%. A decisão agora deve ser tomada em questão de hora, e não de dia.
Previsão de geração solar no Brasil
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O Brasil ultrapassou 68.675 MW de capacidade instalada de energia solar em 2026, o que representa 25,9% da capacidade nacional de geração, segundo a ANEEL e a ABSOLAR. Cerca de 22 GW desse total correspondem a geração centralizada conectadas à rede de transmissão, e é nesse nível que as decisões de despacho são tomadas.
A frota foi construída onde há irradiação solar, no Nordeste e em Minas Gerais, enquanto o consumo se concentra no Sudeste. As linhas de conexão entre as duas regiões não acompanharam esse ritmo.
Primeiro o curtailment, depois o PLD
O Brasil não aplica penalidade por erro de previsão. Uma usina não vende o que produz, mas sim o volume que se comprometeu a entregar, e a diferença é liquidada com base no PLD, o preço de curto prazo, calculado por hora desde janeiro de 2021 e específico para cada um dos quatro submercados.
Quando o operador reduz a produção de uma usina no Nordeste ao meio-dia, o volume contratado continua devendo ser fornecido e é recomprado pelo valor vigente naquela hora. A responsabilidade se reflete no preço, não por meio de uma multa. Essa é a primeira coisa a se entender sobre esse mercado.
A ordem de grandeza. Uma usina de 100 MW com um fator de capacidade de 25% produz 219.000 MWh por ano. Um erro médio de previsão de 5% resulta em 10.950 MWh sujeitos ao mecanismo de liquidação, o que equivale a 2,2 milhões de BRL por ano a 200 BRL por MWh, e 4,4 milhões a 400. As hipóteses são explícitas, e a exposição é uma função da qualidade da previsão e da volatilidade dos preços.
A energia solar no Brasil em números
A capacidade instalada de energia solar quadruplicou em quatro anos, passando de 14,3 GW em 2021 para 68,7 GW em março de 2026, sendo que a geração distribuída responde por cerca de dois terços desse total. O que mudou em 2026 não foi o crescimento, e sim a restrição.
A perda não é teórica. Entre 2022 e 2024, a parcela de energia renovável produzível que nunca chegou à rede aumentou de 0,5% para 9,3%, concentrada na Bahia, no Rio Grande do Norte, no Ceará e no Piauí.
Três das cinco maiores usinas solares do país — Janauba, Sol do Cerrado e Helio Valgas — estão localizadas em Minas Gerais, onde o congestionamento é baixo. São Gonçalo, no Piauí, e Futura 1, na Bahia, estão localizadas onde o congestionamento é mais alto. A geografia do risco não acompanha a geografia dos megawatts.
Indicador
Valor
Fonte
Capacidade solar instalada
68.675 MW em 2026, 25,9% da matriz
ANEEL e ABSOLAR, abril de 2026
Participação da geração centralizada
Cerca de 22 GW, quase um terço da capacidade solar
ANEEL e ABSOLAR, abril de 2026
Crescimento desde 2021
De 14,3 GW para 68,7 GW, multiplicado por 4,5
ABSOLAR, março de 2026
Energia produzível que não foi injetada
De 0,5% em 2022 para 9,3% em 2024
ONS, restrições de geração
Preço de liquidação, PLD
Horário desde janeiro de 2021, quatro submercados
CCEE
Participação do mercado livre no consumo
Cerca de 43% em 2025
Ministério de Minas e Energia
Carteira de armazenamento em baterias
Cerca de 18 GW cadastrados para o leilão de reserva de capacidade de 2026
Associação brasileira de armazenamento de energia, 2026
Contexto
Atualmente, duas forças atuam sobre a mesma meia hora. A restrição de geração determina a quantidade que pode ser injetada, o preço de liquidação determina o valor dessa diferença, e o armazenamento em baterias transforma ambos em uma decisão. Todos os três fatores se resolvem dentro da hora, que é exatamente o momento em que uma previsão baseada em satélite tem menos influência.
Por que um céu tropical derrota a previsão apenas por satélite
Células convectivas, não frentes
A maior parte do Brasil está localizada em uma região com clima do tipo A. As nuvens se formam devido ao aquecimento da superfície em uma área de poucos quilômetros quadrados, desenvolvem-se verticalmente e se dissipam no local. Há pouco transporte horizontal coerente, e o transporte horizontal é exatamente o que os métodos de movimento das nuvens extrapolam.
Nas latitudes médias, uma frente é uma grande estrutura organizada que um satélite pode acompanhar por cerca de três horas. Uma célula convectiva tropical surge, atinge seu pico e desaparece em menos de uma hora. A diferença é mensurável: em um local no Brasil, uma estimativa do GOES indicou 1.049 W/m² nos mesmos dez minutos em que o piranômetro no local mediu um mínimo de 229 W/m². O satélite não estava errado em relação à região; ele simplesmente não detectou a célula sobre a usina.
Obrigação
O que abrange
Por que importa para a previsão
Obrigação
O que abrange
Por que importa para a previsão
Programa de geração, D-1
Geração prevista para o dia seguinte em resolução de 30 minutos, 48 valores
A rede em que você gera, e a rede em que seu erro é lido
Atualizações intradiárias
Revisão sempre que o tempo ou a disponibilidade mudam
O valor está na revisão, não no primeiro envio
Telemetria em tempo real
Potência ativa, tensão, frequência, estado da usina, pelo SINtegre
Os mesmos instrumentos servem ao monitoramento e à previsão
Contexto
Ainda não existe uma obrigação geral de apresentar uma curva de previsão padronizada. A operadora elabora sua própria projeção com seus próprios modelos meteorológicos, revisados em 2025 no submódulo 2.4 dos Procedimentos de Rede, e os requisitos relativos às medições em tempo real estão se tornando mais rigorosos. Planejar com antecedência em relação a essa curva custa menos do que simplesmente segui-la.
Onde estão as usinas, e sob qual clima
As grandes usinas estão localizadas no Nordeste e em Minas Gerais, e quase todo o país se encontra em um clima do tipo A, equatorial ou de monções, com o sertão semiárido situado entre eles. Trata-se de regimes de nuvens convectivas, e não dos sistemas frontais para os quais a maioria dos modelos de previsão foi desenvolvida.
Região
Restrição dominante
Dificuldade de previsão
Região
Restrição dominante
Dificuldade de previsão
Bahia e Piauí
Curtailment muito alto, congestionamento da transmissão
Semiárido, mas com as mesmas estruturas convectivas
Rio Grande do Norte e Ceará
Eólica e solar disputando as mesmas linhas
Convecção costeira, células que se formam em poucos quilômetros
Minas Gerais e São Paulo
Baixo congestionamento, as maiores usinas centralizadas
Regime de monção de verão, alta variabilidade diária
Contexto
A física das nuvens no Brasil não é a mesma das nuvens nas latitudes médias. Um método validado na Europa com base em frentes advectivas pressupõe uma suposição implícita que não se aplica ao sertão, e o erro surge justamente nos horizontes em que são tomadas as decisões de restrição e armazenamento.
O que medimos em uma usina no Brasil
Noventa e seis dias, de 1º de maio a 4 de agosto de 2026, em uma usina brasileira de grande porte. Uma previsão divulgada a cada quinze minutos, comparada com a produção efetivamente gerada pela usina.
No horizonte de duas horas, a previsão baseada em dados locais reduziu o erro absoluto médio em 25% em comparação com um modelo numérico de previsão do tempo e em 24% em comparação com a persistência. Para prazos inferiores a 21 minutos, a persistência a partir de um sensor local ainda se mostra superior, e apenas uma rede de câmeras de observação do céu agrega informações. A adição de câmeras de observação do céu a um local já equipado com piranômetros melhorou a precisão em 20% para prazos inferiores a trinta minutos.
Horizonte
O que o mercado usa hoje
Onde está a lacuna
Horizonte
O que o mercado usa hoje
Onde está a lacuna
Dia seguinte, D-1
Modelos numéricos de previsão do tempo
Adequado no nível da usina, é o programa que o operador consolida
Intradiário, de uma a quatro horas
Modelos de tempo e imagens de satélite
Convecção local não resolvida, revisões chegam tarde
De um minuto a uma hora
Sem cobertura efetiva
As células nascem e morrem abaixo da resolução do satélite
Recurso antes da construção
Apenas bases de dados de satélite
Viés tropical não calibrado, e o P90 o carrega
Contexto
O limite de 21 minutos é o valor relevante. Ele indica a ponto em que os instrumentos deixam de ser um refinamento e passam a ser a única fonte de informação. Qualquer estratégia de armazenamento que se baseie no PLD por hora e qualquer tentativa de antecipar uma ordem de restrição ficam abaixo desse limite.
CalibSun no Brasil: dados no local onde os modelos param
Os modelos de satélite e a previsão numérica do tempo descrevem a região. Eles não descrevem a usina. A CalibSun realiza o mapeamento do local, faz a calibração com base no que a usina realmente recebe e faz previsões na rede elétrica em que o mercado se baseia.
INSTANT, previsão imediata abaixo de uma hora, onde se decidem curtailment e armazenamento
O INSTANT instala câmeras hemisféricas de observação do céu e piranômetros na usina. A identificação das nuvens, a altura das nuvens, o movimento das nuvens e a projeção da sombra no layout da usina são calculados no local, de forma contínua. A previsão de saída é feita com um minuto de antecedência, na escala de tempo em que uma célula convectiva realmente permanece ativa, com 20% de precisão adicional para intervalos inferiores a trinta minutos, medida em um local já equipado com piranômetros.
NEXT, intradiário e dia seguinte na malha de trinta minutos usada pelo operador
O NEXT integra medições de estações meteorológicas, imagens de satélite e modelos climáticos, e gera a curva prevista para o dia seguinte em intervalos de meia hora, além de revisões intradiárias quando as condições atmosféricas se alteram. Em um local no Brasil, ao longo de 96 dias, o erro absoluto médio em intervalos de duas horas diminuiu 25% em comparação com o uso exclusivo de um modelo climático.
FUTURE, um ano de medição no local antes de a usina existir
O projeto FUTURE realiza medições in loco durante doze meses, com resolução de cinco minutos, para calibrar o registro de satélite de longo prazo, que apresenta um viés em climas tropicais. Um P50 e um P90 baseados em um registro calibrado são os valores que uma instituição financeira pode utilizar para definir o preço, e a mesma instrumentação distingue posteriormente, durante a operação, a redução de produção causada por restrições operacionais daquela causada por sujeira nos painéis.
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- Perguntas
Perguntas frequentes
A previsão de geração solar é obrigatória no Brasil?
As usinas conectadas à rede de transmissão e supervisionadas pelo operador enviam um programa de produção para o dia seguinte com resolução de trinta minutos, juntamente com dados de disponibilidade, interrupções planejadas e telemetria em tempo real, por meio do portal SINtegre, com atualizações intradiárias sempre que houver alterações nas condições. Não há obrigação geral de fornecer uma curva de previsão padronizada, e o operador elabora sua própria estimativa com seus próprios modelos meteorológicos. Os requisitos estão se tornando mais rigorosos, especialmente no que diz respeito às medições em tempo real.
Como se paga um erro de previsão no Brasil?
Não se trata de uma penalidade. O Brasil não possui um mecanismo nacional que penalize erros de previsão. Os desvios entre o volume contratado e o volume injetado são liquidados com base no PLD, o preço de liquidação de curto prazo, calculado por hora desde janeiro de 2021 e específico para cada um dos quatro submercados. O custo é uma exposição de mercado, não uma multa, e aumenta com a volatilidade desse preço.
Por que a previsão apenas por satélite tem pior desempenho no Brasil?
Como a convecção tropical não se propaga, as células se formam em uma área de poucos quilômetros quadrados, atingem seu pico e se dissipam em menos de uma hora; portanto, extrapolar o movimento das nuvens a partir de imagens não oferece muitos dados para extrapolação. Em um local no Brasil, uma estimativa do GOES indicou 1.049 W/m², enquanto o piranômetro no local mediu um mínimo de 229 W/m² nos mesmos dez minutos.
A partir de qual horizonte a medição no local se torna necessária?
Vinte e um minutos, medidos ao longo de 96 dias em um local brasileiro de grande escala. Abaixo desse horizonte, a persistência obtida por um sensor local supera os modelos, e somente uma rede de câmeras de observação do céu acrescenta informações. A adição de câmeras de observação do céu a um local já equipado com piranômetros melhorou a precisão das previsões em 20% para prazos inferiores a trinta minutos.
Informações regulatórias e de mercado. As informações regulatórias nesta página descrevem o marco regulatório brasileiro em agosto de 2026. As regras de operação da rede são definidas pelo ONS nos Procedimentos de Rede, notadamente no submódulo 2.4, revisado em 2025, e no módulo 4, sobre programação de operação. As regras de mercado e a liquidação de diferenças são definidas pela CCEE, e as regras tarifárias e de conexão, pela ANEEL. Os requisitos estão sujeitos a alterações. Verifique as disposições aplicáveis junto à ONS, à CCEE e à sua concessionária de distribuição antes de tomar qualquer decisão comercial ou operacional. A CalibSun não se responsabiliza pelo uso que for feito dessas informações.
Fontes. Capacidade instalada e divisão entre geração distribuída e em grande escala: ANEEL e ABSOLAR, abril de 2026. Restrições à geração de energia renovável entre 2022 e 2024: ONS. Preço de liquidação por hora e liquidação de diferenças: CCEE. Participação do consumo no mercado livre em 2025: Ministério de Minas e Energia. Carteira de projetos de armazenamento em baterias para o leilão de reserva de capacidade de 2026: Associação Brasileira de Armazenamento de Energia. Maiores usinas solares em operação: ANEEL, agosto de 2026.
Medições do CalibSun. Os dados de desempenho da previsão provêm de uma avaliação realizada ao longo de 96 dias, de 1º de maio a 4 de agosto de 2026, em uma usina brasileira de grande porte, com uma previsão emitida a cada quinze minutos e comparada com a produção efetiva. Os índices de precisão são apresentados em relação à referência indicada em cada caso — um modelo numérico de clima ou a persistência —, no horizonte temporal especificado. Comparação por satélite: estimativas do GOES a cada dez minutos em comparação com um piranômetro no local a cada cinco minutos, nos dias 2 e 3 de agosto de 2026.